1977: Enfield | Crítica

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Terror sobrenatural baseado em fatos reais

Publicado no Brasil pela Darkside Books, 1977: Enfield do escritor Guy Lyon Playfair, aborda um dos casos mais importantes e bem documentados de atividades paranormais, ocorrido durante a década de setenta em Londres, Inglaterra.

1977: Enfield

Apesar do aviso inicial de que a obra é um pouco branda, dado ser um relato baseado em fatos reais, o que porventura não agradaria alguns fãs pela falta de situações mais espetaculares, 1977: Enfield é assustador pelo simples fato de ser orgânico e muito próximo a nossa realidade.

O livro conta o drama da família Harper, iniciado no ano de 1977, quando barulhos envolveram a residência, junto de objetos que eram arremessados sem explicação alguma. Logo após os primeiros capítulos, a família é aconselhada a relatar em um diário, a quantidade, a intensidade, os horários das atividades, além de outros detalhes, tornando o livro uma espécie de documentário destinado a compreender quem estava por trás do suposto poltergeist.

A tamanha quantidade de informações presentes em 1977: Enfield leva o leitor a vivenciar o dia a dia das pessoas envolvidas, compartilhando dos mesmos sentimentos de terror e ansiedade e por incrível que pareça, até mesmo encarar tal entidade como um morador da casa, que conversa e faz exigências em determinados momentos.

Outro detalhe é relacionado a grande quantidade de pesquisadores presentes no caso, sempre analisando a possibilidade de que tudo aquilo poderia ser uma mentira criada pela família. Em vários momentos, chega a ser cansativo a quantidade de vezes que uma nova pessoa chega a casa e refaz, de maneiras diferentes, testes para averiguar a autenticidade do poltergeist.

No entanto, a cada nova repetição, mais detalhes são fornecidos sobre como identificar um possível “fantasma“, e também como lidar da melhor maneira possível quando um destes estiver, supostamente, assombrando algum lugar.

1977: Enfield, por hora lembra O Exorcista, já que o alvo principal da entidade é justamente uma jovem garota, apesar de que todos ali são influenciados de alguma forma.

Infelizmente, o livro pode realmente parecer um pouco arrastado para os mais desavisados, dado a quantidade de detalhes e os poucos sustos e terror, presentes nas típicas ficções do gênero. Mas é um prato cheio para leitores mais investigativos, que adoram as entrelinhas de situações que exigem o máximo de cautela.

Se você tem interesse numa história sobrenatural mais próxima de nossa realidade, mais orgânica e sincera, então você precisa ler 1977: Enfield.

Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.