A Bruxa | Crítica

1439 Visualizações Deixe um comentário

Longe de Ser o Terror que Tanto Esperávamos

Já tem um bom tempo que deixei de assistir filmes de terror, não por conta de serem ruins, mas por que passaram a ser iguais e repetitivos. Aquelas cenas calmas com o som de fundo aumentando e você acreditando que vai acontecer algo e então… nada. Então quando você acredita que nada mais irá acontecer… Bam! O maldito fantasma, monstro, alien ou qualquer outro tipo de aberração surge causando aquele repentino arrepio, que te faz movimentar na cadeira. Aquela boa e velha fórmula tão explorada nos últimos anos, fortemente influenciada pelos filmes de terror japonês. E então, diversos roteiristas se acomodaram nisto.

Então fiquei sabendo do lançamento do filme “A Bruxa”, do diretor e roteirista norte americano, Robert Eggers. Um filme de baixo orçamento mas que estava gerando um grande “bafafá” na mídia como sendo o “grande filme de terror dos últimos tempos”. É claro que isso não me convenceu. Por último um crítico de cinema chegou a fazer uma matéria pedindo ao público para que não assistissem o filme, pois o mesmo era pavoroso por demais. A que ponto chegamos para conseguir algo, ainda mais com psicologia reversa afim de que a curiosidade fosse levar as pessoas aos cinemas. Mas sinceramente, acho até que funcionou.

E então lá fui eu conferir o famigerado “A Bruxa”.

Com uma bela imagem de gravação, bastante fria e sombria, “A Bruxa” situa-se na Nova Inglaterra, atual Estados Unidos no ano de 1630. Desavenças de cunho religioso levam uma família a abandonar seu vilarejo para morar em um novo local, afastado de outras pessoas ao lado de uma assombrosa floresta. Tudo parece estar indo bem até que o filho mais novo do casal desaparece de forma bastante estranha criando um clima de mal estar entre os personagens envolto a acusações e mentiras. A situação tende a piorar quando determinados animais passam a ficar mais presentes no cotidiano da família, além destes serem obrigados a adentrarem a floresta em busca de mantimentos.

A atmosfera deste filme lembrou um pouco “A Vila”, filme de suspense de 2004, porém com uma carga mais pesada, com uma relação familiar tensa com forte apelo religioso.

No entanto, “A Bruxa” deixou-me um tanto a desejar…

O filme se arrastou durante 1:30hs e todos aqueles momentos de maior concentração que nos levava a pensar: “opa, agora o capeta vai aparecer!” – vinha o banho de água fria. As situações não davam em nada. Nenhum calafrio, nenhum susto. Não é possível que eu esteja tão frio a ponto de não ter sido atingido pelo filme, considerado uma espécie de “terror psicológico”.

Admito que as conversas do dia a dia da família me agradou mais do que as cenas onde o terror realmente deveria acontecer.

Eu achei a conclusão do filme sem sentido. Não entendi porque determinado personagem aceitou tão facilmente o fim que teve, sem desespero, sem o terror que a cena final me pareceu exigir, finalizando em um tipo de situação, no meu ponto de vista, absurdamente clichê.

Quando o filme acabou, quase fiquei aguardando uma suposta cena pós crédito que eventualmente pudesse salvar aquilo que eu esperava assistir. Mas não, o filme era somente aquilo e saí decepcionado pr’a car#%&*!!!

E por isso digo: se você busca um filme que realmente te afete, que torça seus pés em momentos de tensão, que te cause arrepios de verdade, saiba que ao menos para mim, “A Bruxa” está longe de ser assim. É apenas uma obra agradável de ser assistida e só.

RELATED ITEMS
Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.