Arrow [4ª Temporada] | Crítica

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Análise da 4ª temporada de Arrow, série baseada nos quadrinhos do Arqueiro Verde da DC Comics.

Com a atual moda dos grandes estúdios em intercalar tudo em um grande universo expandido fica complicado você não querer assistir todas as peças deste enorme quebra-cabeças. No caso da DC Comics, ao contrário da Marvel, existe uma parede que separa a realidade dos cinemas com a das séries de TV. Porém isso não facilita muito as coisas quando passa a existir duas, três, quatro séries, cada uma com uma média de 23 episódios, interligadas em um mesmo universo, com episódios crossovers entre uma e outra.

Portanto, para aqueles que repetem: “se não gosta, não assiste, não reclame” entendam que algumas pessoas necessitam se manter informados sobre um contexto geral daquele universo. E as pessoas mais motivadas a passarem seus preciosos tempos encaixando peça por peça, percebendo cada uma das inúmeras referências que os produtores colocam em cada uma destas séries é por que já possuem um histórico com aquele conteúdo, já possuía afinidade com aquele determinado personagem antes mesmo dele aparecer na TV.

A 4ª temporada de Arrow chegou ao fim e trouxe uma das mais lamentáveis tramas de toda a série que vem decaindo desde meados da 2ª temporada. Obviamente sabemos que a qualidade de uma temporada dá-se principalmente por conta do vilão escolhido e dentre todos os melhores personagens da DC Comics, surge Damien Darhk para fazer um papel medíocre, barato e sem originalidade, repetindo a mesma fórmula da 1ª temporada, tão óbvia que o próprio Malcolm Merlyn comentou a respeito com Thea Queen. Damien foi fraco e óbvio, nenhum pouco original quanto o próprio Malcolm no início da série, Slade e Ra’s al Ghul que também deixou muito a desejar.

Arrow - Oliver Queen e Damien Darhk
Damien Darhk e Oliver Queen

Malcolm Merlyn decaiu bastante, passou de um poderoso vilão, capaz de surrar tranquilamente Oliver Queen e hoje ser obrigada a mudar de lado a cada dois episódios para não ser morto, sem respeito algum e fraco ao ponto de apanhar da própria filha. Eu gostaria muito da presença de um Arqueiro Negro decente, que realmente fosse um problema na vida de Oliver, mas Malcolm faz força para estar ali quando ninguém na série sente qualquer tipo de interesse nele. Quanto desperdício.

Outro fator que desmereceu muito o drama da série foi a quantidade abusiva de vezes que personagens retornaram dos mortos. A morte passou a ser banalizados com frequência: Sarah Lance, Thea Queen, Roy, Andy, Ray Palmer e o próprio Oliver Queen ressuscitaram, fazendo com que episódios mais dramáticos perdessem todo seu sentido. E por fim os produtores matam justamente a personagem que talvez fosse a redenção do Arqueiro Verde, Laurel Lance, a Canário Negro foi morta de forma definitiva (a atriz katie Cassidy já está confirmada em outra série sem relação com a DC Comics). Já bastava ela ter sido escalada para ser a segunda e mais fraca Canário Negro, por fim a mataram em uma cena absurdamente dolorosa comentando sobre seu amor por Oliver e estar feliz por ele estar com Felicity… espero que Katie Cassidy seja bem melhor aproveitada em seus próximos trabalhos, já que nos breves momentos em que ela participou da 2ª temporada de The Flash, interpretando sua contraparte da Terra-2, uma vilã intitulada Black Siren foi mais positivo e emocionante do que tudo que ela foi nestas quatro temporadas de Arrow.

Esta quarta temporada além de não ter uma trama tão sofisticada, ainda precisávamos lidar com aqueles episódios sem relevância alguma para a história, apenas para dar volume a série. Um exemplo disso foi o 17ª episódio “Beacon of Hope” trazendo a vilã Brie Larvan com sua abelhas robóticas.

Por fim, a situação mais amada e odiada pelos telespectadores da série. o “Olicity” que quase mudou o título Arrow para Felicity pela tamanha importância dada a esta personagem. Apesar do circo estar pegando fogo e Oliver Queen perdido sobre o que fazer, surgia Felicity falando sussurradamente com lágrimas nos olhos sobre a pouca importância que ele estava dando a ela, escondendo fatos ou tomando atitudes mais drásticas que a desagradavam, as vezes para a segurança dela própria, deixando o Arqueiro Verde em uma situação ainda mais vulnerável. Uma relação de contos de fadas onde os problemas eram por conta de fatos simples em relação ao contexto que enfrentavam. Barry Allen e Iris West em The Flash, relativamente mais jovens que Oliver Queen e Felicity agiam de forma mais madura. Qualquer outro casal agia de forma mais madura do que os dois protagonistas da série. A situação toda piora quando os produtores enfiam na série a mãe de Felicity, Donna Smoak, cujo os dramas são basicamente os mesmos. Criaram até mesmo um novo personagem, Curtis Holt que seguia o mesmo padrão bobo, inocente, muito inteligente que diversas vezes fala o que não deve, assim como Felicity era no início da série e ainda o é quando ela não está cobrando algo de Oliver.

Por fim o final da série, o tão esperado desfecho foi algo simples, absurdo e sem sentido. Damien Darhk em sua forma mais poderosa, por um lapso do destino perde seus poderes no momento da batalha contra Oliver Queen, tornando a batalha final em uma luta corpo a corpo, numa tentativa de deixar a vitória do Arqueiro Verde mais emocionante, só que não.

Esta 4ª temporada ao contrário das anteriores não deixou gancho nenhum para os próximos episódios, admito que torci até o final para que um novo personagem surgisse e falasse algo para nos deixar esperançosos quanto ao futuro da série, mas nada. Nem os flashbacks envolvendo o passado de Oliver na Ilha Lian Yu trouxe algo novo, na verdade tudo indica que aquela trama, envolvendo Amanda Waller encerrou para chegar no momento onde o personagem é encontrado no início da 1ª temporada.

Infelizmente foi uma temporada ruim e mal aproveitada. Obviamente Stephen Amell, ator que fez o papel de Oliver Queen jamais admitirá isso, além das falhas dos produtores. The Flash e Gotham acertaram, Arrow também deveria ter sido grande. Mas infelizmente, o jeito é esperar a próxima temporada e torcer para que determinadas coisas voltem a melhorar.

Arrow - Arqueiro Verde
Arqueiro Verde
Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.