Batman: A Piada Mortal | Crítica

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A Ótima Qualidade de Batman: A Piada Mortal Não Esconde o Fato de Ser Uma Animação Totalmente Desnecessária

Após meses de espera, enfim a animação baseada no clássico de Alan Moore e Brian Bolland, Batman: A Piada Mortal foi lançada em meio a um grande alvoroço de ansiedade por parte dos fãs do Homem Morcego.

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Obviamente, a DC Comics reina quando o assunto é qualidade de animações. Não é atoa que há anos seus desenhos e filmes animados geram grande repercussão, bem maior que de seus concorrentes, como por exemplo a Marvel.

E é justamente por conta desta ótima fama, que qualquer nova animação da DC Comics é recebida com total atenção por parte da mídia e telespectadores.

E não foi diferente com relação a Batman: A Piada Mortal, já que trata-se de uma das histórias de maior sucesso entre os leitores de quadrinhos.

Porém o que transpareceu a nós é que foi uma animação absurdamente desnecessária que corrompeu o real foco de dramaticidade presente na revista em quadrinhos.

Batman: A Piada Mortal, com roteiro escrito pelo premiado Brian Azzarello não ficou ruim. A DC Comics ainda permanece a frente de suas concorrentes, porém tornou-se uma história longa, com duas tramas em um mesmo longa. A primeira metade da animação não tem qualquer relação com a a obra de Alan Moore.

Protagonizada pela Batgirl, a história envolve sua conturbada relação com o Batman, em meio a busca por um criminoso que não tem relação alguma com o Coringa. A animação parece uma promoção da personagem para que a DC Comics possa começar investir na mesma futuramente. Muitos questionaram a cena de sexo entre os dois heróis, mas eu não questiono a cena em si, mas a primeira parte inteira desta animação. Uma história como tal ficaria boa em uma animação específica para isto, assim como foram as demais animações do Batman, mas não para dividir espaço com a Piada Mortal.

Batman: A Piada Mortal

É tão estranha esta relação de uma história com a outra que quando a Piada Mortal realmente começa, é estranho tentar entender por que o Batman quis conversar com o Coringa daquela maneira, levando em conta que o problema que ele vinha passando era de cunho pessoal com a Batgirl. É como se mudasse da água para o vinho. Nas histórias em quadrinhos, por não haver este prelúdio, nos faz pensar o que o Batman estava realmente passando para querer discutir sua relação com o Coringa. Poderia ser qualquer coisa, mas com certeza seria algo bastante dramático e sério para que o Cavaleiro das Trevas quisesse sentar e conversar.

As primeiras cenas correspondem exatamente aos quadrinhos, a arte é realmente muito bonita, porém logo voltam as cenas desnecessárias, como por exemplo a opinião das garotas de programa sobre o Coringa. É visível a tentativa de enfiar coisas na história afim de deixa-la mais longa.

Outra situação crítica foi o musical criado pelo Coringa enquanto torturava Jim Gordon. Nos quadrinhos tudo parecia ser algo bastante psicodélico, doentio, algo realmente feito para sentirmos repúdio pelo vilão. Na animação, tudo parece superficial querendo ser mais engraçado do que trágico.

Batman: A Piada Mortal

Muitas coisas que tornaram Batman: A Piada Mortal um clássico foram deixadas de lado, situações ficaram desconexas e mal aproveitadas. Para quem ainda não leu a história em quadrinhos, pode muito bem pensar que tudo isto é um exagero. Mas a verdade nisto tudo é que a animação A Piada Mortal provavelmente se perderá no tempo, enquanto a obra de Alan Moore e Brian Bolland continuará eterna.

Mas apesar dos pesares temos que ressaltar a participação do ator Mark Hamill como dublador do Coringa. É aterrorizante a interpretação dada pelo ator a voz do vilão, sendo um dos grandes pontos positivos desta animação.

Minha conclusão é de que a DC Comics quis promover novas coisas em cima de um título famoso, trazendo um material bem desnecessário para aqueles que realmente queriam ver algo espetacular em relação a Batman: A Piada Mortal. Isso fica óbvio com a cena pós-crédito com Barbara Gordon tornando-se a Oráculo. A animação Batman: A Piada Mortal é um longa protagonizado pela Batgirl em seu caminho para se tornar a Oráculo.

Seria fabuloso se a DC Comics criasse uma história que ocorresse paralelamente aos fatos de A Piada Mortal, com outro título e com a Batgirl como protagonista, incrementando e enriquecendo a história do Batman, sem a necessidade de mudar aquilo que Alan Moore havia desenvolvido para nós, fãs de histórias em quadrinhos.

Como eu disse, a versão animada de Batman: A Piada Mortal não é ruim, mas é extremamente desnecessária, levando em conta a capacidade da DC Comics em criar belas animações.

Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.