Batman vs Superman: A Origem da Justiça | Crítica

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Dia 23 de março de 2016, pré-estréia mundial de Batman vs Superman: A Origem da Justiça e pr’a variar eu estava lá, um hábito para evitar os inevitáveis spoilers que com certeza chegariam de imediato as redes sociais. Ainda mais de um filme tão aguardado como este, aliás, admito, o filme que eu mais esperava este ano.

O filme é basicamente as consequências diretas da guerra contra o general Zod em “Homem de Aço” de 2013. O grau de destruição alcançado por esta batalha foi bem mais explorado em “Batman vs Superman”, justamente para mostrar um outro ponto de vista. Enquanto em “Homem de Aço” tivemos uma visão heroica desta guerra, agora foi apresentado o lado trágico, dramático do que é uma pessoa normal em meio a um campo de destruição.

E no coração de toda esta tragédia, os questionamentos a respeito da presença de Superman em nosso planeta passam a ser discutidos, fazendo com que alguns personagens desenvolvessem maneiras de barrar as ações do kriptoniano.

O roteiro foi relativamente bem estruturado pecando apenas pelo excesso. Muita coisa desnecessária incluindo as participações de Flash, Ciborgue e Aquaman que não agregaram em nada durante a trama. Suas participações serviram apenas para agradar os fãs, mostrando como estes serão no filme da Liga da Justiça.

As músicas conseguiram transmitir toda a obscuridade do filme, destaque para o tema de Lex Luthor, com aquele tom majestoso e vilanesco ideal para representar o personagem. Isso com certeza foi fabuloso!

A direção de Zack Snyder só não foi perfeita por meros detalhes. A tentativa de dramatizar certas situações deixaram alguns momentos longos por demais como o próprio início do filme. As tradicionais cenas de câmera lenta, principalmente as que ocorreram com a Mulher-Maravilha ficaram forçadas, pois quiseram destacar situações que não eram para tanto.

Falando agora dos personagens, Superman realmente me comoveu. O mais importante herói da DC Comics apenas queria viver em paz com seu trabalho, ao lado de sua mãe Martha Kent e Lois Lane, usando seus poderes para ajudar o mundo quando necessário. O drama do personagem passou a acontecer por conta da batalha contra Zod e posteriormente por causa de Lex Luthor. A postura que diferenciava o homem de aço do morcego de Gotham era apenas o fato de que um utilizava ferramentas um tanto drásticas contra criminosos e o outro não.

Batman foi fenomenal e me arrisco a dizer que foi o melhor homem morcego dos cinemas. Exatamente aquele Batman que temos nos quadrinhos atuais. Forte pr’a caramba, sombrio ao ponto de pensarem que ele é um demônio, bastante inteligente. Ben Affleck como Bruce Wayne conseguiu passar toda aquela amargura que o personagem carregou durante os anos, seja por conta da morte de seus pais, das batalhas contra criminosos e etc.

Já a personagem que eu mais estava ansioso em ver, a Mulher-Maravilha me decepcionou. E não foi culpa da atriz Gal Gadot, pois a mesma fez seu trabalho de forma excepcional. O problema é que a participação desta no filme era apenas para dizer que a mesma estava lá, pois sua importância foi quase nula até dar uma força na luta contra o Apocalipse e mesmo assim, não fez lá essas coisas. E mesmo com esse mal aproveitamento da personagem, Zack Snyder insistiu na música ao estilo dos espartanos do filme “300”, as tais cenas em câmera lenta em uma tentativa de causar um espanto maior, uma grandiosidade que sinceramente os produtores não souberam dar a personagem. É lamentável por que nos dias de hoje existe uma grande espaço para heroínas nos cinemas e por isso eu esperava um destaque bem maior para Diana, pena que isso não ocorreu, por enquanto.

Lex Luthor me fez sentir uma nostalgia em relação ao seu personagem da primeira trilogia de Superman, apesar de ser bem mais jovem, porém tão maquiavélico quanto. Nem de longe se parece com o Luthor mais maduro que vemos em alguns jogos, animações e em algumas revistas. Jesse Eisenberg mostrou um personagem aparentemente problemático, bastante inteligente, porém sedento para provar a si mesmo quer era capaz de derrotar os maiores problemas do mundo, mesmo que estes fossem o governo norte-americano, Batman e Superman.

O tão esperado monstro Apocalipse teve uma origem bastante diferente do original dos quadrinhos, mas compartilhou da ideia de raiva e descontrole além de que quanto mais machucado, mais poderoso.

O filme teve um apelo forte dos quadrinhos, principalmente de obras como “O Cavaleiro das Trevas” e “A Morte de Superman”. Os trajes e as referências foram absurdamente bem trabalhadas. Eu só não entendo por que a DC Comics, mesmo em um filme trágico como este ainda insiste em cenas românticas forçadas como aparentemente nos deparamos em séries de TV como Arrow, The Flash e Gotham. As declarações de amor entre Superman e Lois Lane próximo ao final do filme mostram este tipo de situação.

Mas apesar das críticas, Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um divisor de águas nos filmes da DC Comics nos cinemas. É um filme absurdamente bom, porém o lado positivo jamais poderá esconder o fato que nem tudo é perfeito. Os detalhes que eu citei não comprometem a qualidade da obra e pode ser dito muito bem que trata-se de um dos melhores filmes de super-heróis já feitos.

Agora é esperar o filme da Liga da Justiça e aguardar o famigerado vilão que todos nós que já assistimos Batman vs Superman: A Origem da Justiça já sabemos quem é.

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Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.