Esquadrão Suicida | Crítica

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Esquadrão Suicida Vendeu Aquilo Que Não Era Capaz de Oferecer

Chegou aos cinemas o terceiro filme do universo cinematográfico da DC Comics, Esquadrão Suicida. Longa-metragem cuja a história é protagonizada por importantes vilões dos quadrinhos, reunidos contra suas vontades afim de lidarem com situações críticas, quando o planeta não dispor de super-heróis para resolverem tais problemas.

Realmente um filme bastante aguardado, dado sua forte campanha publicitária e também o fato de estarmos no auge dos filmes relacionados a personagens das histórias em quadrinhos. A guerra entre fãs, os radicais mais conhecidos como “marvetes” e “dcnautas” também influenciaram a ansiedade pelo filme, causado por infinitas discussões nas redes sociais.

Mas deixando tudo isso de lado, Esquadrão Suicida é apenas mais um filme de super-seres baseados nos quadrinhos, assim como qualquer outro. E para a alegria de uns e tristeza de outros, a obra teve seu lado positivo e também negativo.

Porém olhando de uma forma mais técnica, o que você fã de filmes do gênero espera ver em qualquer um destes lançamentos? Uma história boa? Cenas de explosão? Uniformes coloridos?

O fato é que eu, aquele que vos escreve, sou um grande fã deste tipo de ficção e o que eu mais espero são filmes bons, independente se é Marvel, DC ou qualquer outra empresa. E Esquadrão Suicida foi mais desanimador do que algo que realmente pudesse me surpreender.

O filme dos vilões da DC Comics é uma ótima obra de ação, com belíssimas cenas de explosão, combate, uniformes com bastante referência ao que estamos acostumados a ver nas revistas. Esquadrão Suicida é ótimo com relação a este aspecto. Mas, tratando-se de roteiro, a história foi absurdamente fraca, diversas vezes sem sentido.

A DC Comics junto da Warner Bros. insistem, ao contrário da Marvel, de que seu filmes devem ser mais reais, mais orgânicos e sérios. Nada contra isso a não ser pelo fato que filmes não são histórias em quadrinhos. Muita coisa funciona em um que não funciona em outro. E a quantidade de furos no roteiro desanima qualquer um que queira obter um pouco mais de profundidade neste novo filme.

Ele começa logo após os incidentes de Batman vs Superman: A Origem da Justiça e a personagem Amanda Waller tem um plano mais interessante para determinados super vilões ao invés de deixa-los apenas como indivíduos presos em uma cela.

No entanto, assim que a equipe é formada (ao menos os protagonistas) o grande antagonista surge, como se estivesse aguardando o Esquadrão Suicida estar pronto para poder entrar em ação, nem antes e nem depois, exatamente no momento. E então uma grande interrogação do por que.

Esquadrão Suicida - Arlequina

Outro fato lamentável foi a forte humanização de determinados vilões. É fato, assim como comentei no artigo A Linha Tênue Que Separa o Super-Herói do Vilão Contemporâneo, os vilões agora possuem motivações bem próximas as que nos envolvem, fazendo-nos compreender diversas vezes o motivo pelo qual eles decidiram seguir o caminho da vilania. Porém, em Esquadrão Suicida, o excesso de humanização, ao meu ver, impossibilita que qualquer um daqueles personagens possa porventura ser um bom vilão em qualquer um destes próximos filmes de super-heróis.

O Pistoleiro é um personagem que mata de forma impiedosa, ele mata qualquer um por dinheiro, não existe uma questão moral muito aprofundada. Mas no filme mostrou claramente que ele mata pessoas que muitas vezes queríamos realmente mortas, como outros criminosos por exemplo. E é assim com todos os demais personagens, com exceção do Amarra (Slipknot) que esteve ali somente para dar exemplo e nada mais.

Esquadrão Suicida - Pistoleiro e Arlequina

A criação da própria Arlequina foi vazia, quando transpareceu que ela de certo modo permitiu ser torturada por conta de uma paixão. Se a Warner Bros. quer nos apresentar este universo mais pé no chão, por que afinal de contas permitiu situações tão mau explicadas.

Não consigo imaginar qualquer um daqueles sendo bons vilões em próximos filmes. A DC Comics vai precisar trabalhar muito para produzir um novo filme do Esquadrão Suicida para utilizar estes personagens, por que afinal de contas, quem ali é capaz de enfrentar Batman, Flash, Aquaman e outros?

Dos personagens, El Diablo e Magia foram os mais interessantes, eles sim, seguido pelo Pistoleiro, poderiam ter um futuro interessante, eu disse “poderiam” neste universo cinematográfico da DC.

Esquadrão Suicida - Magia

Mas um aspecto bem lamentável foi referente ao personagem mais aguardado, o Coringa, que já não havia se saído muito bem na animação A Piada Mortal veio como um banho de água fria para aqueles que realmente conhecem o personagem. O palhaço que não liga para nada, que trata tudo como uma piada mortal, o qual não se deixa abalar por nada tornou-se em Esquadrão Suicida um personagem melo dramático, apaixonado e ciumento. Um gangster que nem de longe consegue alcançar o status de nemesis do Batman. E isso não é culpa do ator Jared Leto. É culpa do roteiro. Por que a interpretação do ator foi muito boa, aliás de todos ali, mas o roteiro trouxe algo que não condiz com o personagem.

O que a DC Comics pretende com isso? Ter filmes somente com vilões com poderes cósmicos e mega explosões? Um filme solo do Batman caberia isto? Infelizmente, quem é este atual Coringa para protagonizar um bom filme e superar Batman: O Cavaleiro das Trevas de 2008?

Esquadrão Suicida - Coringa

E em meio a esse ponto negativo com relação aos personagens, o filme é divido na apresentação da equipe, a ida a um determinado ponto e a conclusão, tudo isso em meio a tiros e explosões. Não é atoa que a ameaça do filme é muito grande para ser resolvida por eles e a equipe não nos convence que realmente poderia deter aquele tipo de problema. São coisas que nos quadrinhos funcionam, mas nesse aspecto cinematográfico não.

Portanto, Esquadrão Suicida é um filme extremamente bem feito quanto ao seu aspecto visual, com elementos de ação que realmente fazem as duas horas de filme passarem voando, ainda mais com o forte apelo musical, com clássicos do Queen, Black Sabbath e outros. Não é um filme de humor, como ele havia sido vendido nos trailers, é muito mais dramático com a presença de uma piada ou outra nas mãos de personagens como o Capitão Bumerangue. Mas infelizmente o roteiro foi fraco, desperdiçando bons vilões que poderiam gerar bastante impacto no futuro, assim como foi com o Coringa interpretado por Heath Ledger.

Estou torcendo para que saia uma edição definitiva do filme e melhore a situação do roteiro, assim como foi com Batman vs Superman, apesar de que não acredito que este novo Coringa tenha algum tipo de salvação.

Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.