Esquadrão Suicida e o Desperdício de Vilões Nos Filmes da DC Comics

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Os vilões de Esquadrão Suicida foram desperdiçados pela DC Comics

Aproveitando que o filme Esquadrão Suicida já saiu de cartaz em uma boa quantidade de cinemas, e uma grande quantidade de pessoas já tiveram a oportunidade de assisti-lo, decidi escrever alguns pontos negativos quanto a apresentação dos personagens envolvidos neste terceiro filme, do recém criado Universo Cinematográfico DC.

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Eu sou um grande adepto das revoluções cujos resultados sejam satisfatórios e no mínimo surpreendentes. E Esquadrão Suicida foi o filme do qual eu realmente apostei todas as minhas fichas, pois o que vinha sendo apresentado nos trailers era um filme que seguia na contramão dos filmes de heróis, e que tinha tudo para dar certo assim como Os Guardiões da Galáxia e Deadpool.

Ainda mais pelo fato de que não existe um bom herói sem a presença de um vilão que seja melhor ainda. Afinal de contas, que desafio seria um vilão meia boca para qualquer super-humano cujos os poderes transcendem quase tudo que possamos imaginar.

Esquadrão Suicida reuniu uma boa quantidade de vilões, muitos deles construídos ao longo dos anos por trás de uma ideia bem mais profunda. Os quadrinhos precisaram evoluir ao longo de suas histórias para acompanhar a maturidade de seus próprios leitores, que repassavam consequentemente esta evolução aos seus filhos e a nova geração de consumidores deste mercado.

Esquadrão Suicida

E o que vi neste filme, foi uma profunda banalização do significado carregado por estes personagens da DC Comics. Obviamente, existem explicações para isto, talvez uma delas seja de que o filme tenha sido feito 20% para fãs, consumidores das histórias em quadrinhos e 80% para pessoas que porventura possam simpatizar e adentrar este gênero social que vem crescendo atualmente.

Qual daqueles personagens, presentes em Esquadrão Suicida poderia ser um bom antagonista em qualquer um dos filmes já anunciados pela Warner e DC Comics? Minha opinião: nenhum deles.

Na tentativa de cativar o público, a humanização destes personagens os tornaram frágeis. Um vilão é um criminoso, que na maioria das vezes está ali para matar ou morrer. Porém a construção do Universo Cinematográfico DC caminhou em uma direção que agora só é possível vilões cada vez mais poderosos, a nível de Darkseid. E então eu questiono: quem é o Pistoleiro para este atual Batman? Quem é qualquer um daqueles vilões (exceto a Magia) para lidar com um personagem sem poderes como o Batman? Imaginem então contra um Superman, The Flash, Mulher-Maravilha, Aquaman e outros.

A situação não seria tão ruim, se toda esta problemática fosse concentrada somente no Esquadrão Suicida, já que os integrantes fazem parte de um clã de vilões, digamos mais fracos (mais fracos ainda no filme).

Um dos maiores ícones e mais importantes vilões da DC Comics, o Coringa, cuja a personalidade o torna tão atraente quanto qualquer outro personagem com poderes cósmicos, foi absurdamente, TERRÍVELMENTE, desvirtuado de tudo aquilo que conhecemos deste que é o verdadeiro nemesis do Batman.

Esquadrão Suicida

E não tem nada haver com atuação de Jared Letto, tem haver com o roteiro. Não tem nada haver com cortes de cenas, pois a personalidade deste novo Coringa estava ali, extremamente escancarada: um mafioso excêntrico fragilizado por sentimentos de paixão, ciúmes, saudades com direito a cenas de esquete. Quem é este Coringa para causar algum tipo de problema ao Batman, que agora está preocupado com vilões alienígenas que estão prestes a chegar.

Eu não tenho nada contra a esta nova leva de filmes semelhantes a franquia Crepúsculo, Jogos Vorazes e outros cuja a protagonista sofre com dilemas relacionados a sua vida amorosa. Cada filme para seu tipo de público. No entanto, em Esquadrão Suicida a relação entre Coringa e Arlequina pareceu caminhar nesta mesma receita, a fim de despertar a atenção de um público que espera ver esse tipo de romance, independente do significado de cada um destes personagens. Arlequina foi durante muito tempo uma ferramenta utilizada pelo Coringa, onde ela acreditava que sua obsessão pelo personagem era amor, mesmo quando ela apanhava ou era abandonada, utilizada como bode expiatório por ele.

Assista uma série de momentos que demonstram a relação original do Coringa com a Arlequina no vídeo abaixo:

O único ponto positivo desta Arlequina que vimos nos cinemas é que ela foi a primeira personagem feminina a ser a protagonista de um filme desta nova era, seja da DC ou da Marvel. Nem Viúva-Negra e “até este momento” Mulher-Maravilha não estiveram a frente de um filme, assim como foi a Arlequina em Esquadrão Suicida.

Mas voltando ao Coringa, ficou claro que este dificilmente poderá protagonizar qualquer outro filme como um antagonista de primeira, assim como foi com Heath Ledger nos filmes de Christopher Nolan. O Coringa é um cachorro louco que saiu da coleira. Não há nada que o segure, muito menos qualquer tipo de laço afetivo e por isso ele é tão perigoso e interessante, por que afinal de contas, quais seriam os limites do personagem?

Esquadrão Suicida desperdiçou uma boa quantidade de personagens que poderiam ser ótimos vilões em filmes solos do Batman, do Flash entre outros. Mas somente servirão em um filme como Esquadrão Suicida 2, e mesmo assim, qual outra crise eles estariam envolvidos quando a Liga da Justiça estiver em atividade.

No final das contas, aquilo que funciona nos quadrinhos muitas vezes não funciona nos cinemas e vice e versa. E agora que o filme passou eu me pergunto: quem é Esquadrão Suicida neste universo cinematográfico criado pela Warner e DC Comics?

Ainda bem que temos o Exterminador

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Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.