Luke Cage [1ª Temporada] | Crítica

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Marvel’s Luke Cage traz uma boa história, no entanto sem tantas emoções

Chegou a Netflix a primeira temporada de Luke Cage, série produzida pela Marvel TV em parceria com o ABC Studios. Baseada no personagem homônimo das histórias em quadrinhos da Marvel Comics, Luke Cage é a terceira série oficial, precedida pelas duas primeiras temporadas de Demolidor e a primeira de Jessica Jones, rumo a série Os Defensores, onde ocorrerá um crossover entre todos estes personagens, incluindo Punho de Ferro, que também estrelará uma série solo na Netflix.

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Luke Cage foi protagonizado pelo ator Mike Colter e teve um total de 13 episódios, seguindo a média padrão de séries do tipo. Toda a trama gira em torno da população do Harlem, região composta em sua grande maioria por famílias negras e latinas.

O personagem foi apresentado originalmente durante a série Jessica Jones, onde manteve uma relação íntima com a heroína, no entanto abandonando ao final da séria a região de Hell’s Kitchen para retornar ao Harlem.

Fortemente uma adaptação dos clássicos blaxploitation da década de 60 para os dias atuais, Luke Cage trouxe uma série interessante, no entanto sem muitas surpresas, aliás menos surpresas que Demolidor e Jessica Jones.

A ambientação é realmente muito bonita e explora com muitos detalhes cada local, desde casas de shows, barbearias e outros. A série é bastante musical, um dos pontos fortes de toda obra, com belíssimas representações musicais de artistas que transmitem o sentimento daquelas pessoas que vivem no Harlem.

Marvel e Netflix - Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Justiceiro

Mas apesar da ótima ambientação, infelizmente tivemos uma interpretação não tão satisfatória por parte do protagonista, que parecia se sentir retraído naquele papel que deveria ser o destaque. Além do mais os vilões de Luke Cage, foram extremamente fracos e desconexos com toda aquela atmosfera que a série quis transmitir.

O destaque ficou mesmo pelas atuações das atrizes Simone Missick (Detetine Misty Knight), e de Rosario Dawnson (enfermeira Claire Temple), esta última que já participou de todas as série anteriores e que provavelmente será o ponto de ligação entre todos os heróis na série Os Defensores. Ambas as personagens foram muito bem trabalhadas e tiveram importância vital no decorrer de toda a história.

Luke Cage foi apresentado como um personagem calmo e sereno, agindo de forma contida e controlada durante a série inteira, o que nos faz sentir falta de um pouco de sangue no olho, aqueles momentos de explosão que levam o personagem a tomar medidas drásticas. E mesmo com todo a crise relacionada a sua vida, a própria voz de Luke Cage é calma e aquilo que deveria ser “explosões” de raiva não convencem, ainda mais para um cara grande como Mike Colter, cujas as habilidades do personagem o deveriam tornar ainda mais intimidador.

Marvel - Luke Cage - Netflix

A apresentação dos vilões, seguem o padrão que a Marvel vem investindo em séries como Marvel’s Agents of SHIELD e até mesmo o próprio Demolidor. Logo de início nos deparamos com uma grande ameaça que é resolvida na metade da série, servindo como desculpa para inserir um outro personagem ainda mais perigoso. Foi o caso de Boca de Algodão e sua prima Mariah Dillard, até a chegada do perigoso Kid Cascavel.

As motivações destes personagens é visivelmente baseada na dura realidade em que viveram, porém isso não é mostrado de forma que realmente nos convença. Hora ou outra parecem crianças brigando por conta de um brinquedo, longe daquilo que vimos com Wilson Fisk em Demolidor. E quando é chegado o momento da parte fantástica e de super poderes, o grande desfecho da série, surge um personagem extremamente idiota com uma roupa ridícula para servir de “boss” final.

Existem muitas coisas que funcionam perfeitamente nos quadrinhos, mas que ficam ridículas na TV. Apesar de Luke Cage ser um ótimo “fan service” com várias referências aos Vingadores, ao Justiceiro, até mesmo personagens dos filmes do Homem de Ferro, a série brinca com o ridículo do traje original do herói, quando ele próprio se vê com uma camisa amarela e uma tiara de metal na cabeça, assim como em suas primeiras revistas m quadrinhos.

Apesar de uma história relativamente mais fraca e com personagens menos carismáticos, Luke Cage ainda sim é agradável por conta da mensagem que se propõe a passar. Uma série protagonizada por diversos negros, onde os personagens mais fortes são interpretados por mulheres, com uma representação muito bem feita de uma típica sociedade mais pobre, governada por mafiosos e policiais corruptos.

Marvel - Luke Cage

Algo muito importante que a série não fez questão de apontar são as consequências da Guerra Civil e da Lei de Registro de Super-Humanos. Luke Cage é conhecido no Harlem e pela mídia como um super-humano, mas nenhum momento ele é questionado a respeito de seus poderes pelas autoridades, somente pelos crimes pelos quais estavam sendo acusado. Afinal de contas, em que universo o Harlem se encontra quando todas estas séries pertencem de um modo geral ao Universo Cinematográfico Marvel? As regras deveriam ser as mesmas.

Outro detalhe é o preconceito que estes super-humanos sofrem, chamados como “aberrações” por diversas pessoas, semelhante ao que acontece nas histórias dos X-Men e com os Inumanos em Marvel’s Agents of SHIELD.

Apesar deste Luke Cage ser apenas um indivíduo que é atingido por balas (aliás, a única capacidade realmente explorada nesta série), vale a pena assistir. É um bom complemento para este universo complementar da Marvel, apresentado pela Netflix.

Por último, o easter egg mais aguardado pelos fãs, Stan Lee faz sua aparição nos momentos finais desta primeira temporada, em um cartaz semelhante ao que vimos nas séries anteriores. Você conseguiu encontrar?

Escreva nos comentários sua opinião e expectativas sobre o futuro de Luke Cage e Os Defensores!

Luke Cage - Marvel - Netflix

Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.