Labirinto: A Magia do Tempo | Crítica

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Devido aos inúmeros rumores sobre um possível remake do filme “Labirinto: A Magia do Tempo”, fiquei nostálgico e logo busquei um meio de assistir novamente este longa, e o melhor de tudo é que está disponível na NETFLIX. Ao encontrá-lo não pensei duas vezes decidi de imediato matar a saudade. É claro que o filme não é contemporâneo a minha infância e que assisti tempos depois de seu lançamento, quando tive meus primeiros contatos com a música e arte de David Bowie, mas isto não vem ao caso.

Labirinto: A Magia do TempoA história tem uma linha mística e até mesmo psicodélica, com um enredo envolvendo a jovem Sarah (Jeniffer Connelly), uma garota apaixonada por literatura e teatro, que se vê obrigada, para regatar seu irmão, a ingressar em uma viagem dimensional, um labirinto repleto de desafios e surpresas. O “vilão”, o apaixonante rei dos Goblins, Jareth (David Bowie), tem um ar sedutor com um toque melancólico, chego a considerá-lo um anti-herói romântico, onde suas ações são motivadas mais por carência e solidão do que por simples maldade. A meu ver, o labirinto é o único instrumento que o rei acredita ter para interagir com alguém de fora de seu universo. Ele não é um ser mau, suas ações nada mais são do que o resultado da necessidade de atenção.

Labirinto: A Magia do TempoA jornada de Sarah é repleta de encontros com seres que buscam auxiliá-la como também impedir seu êxito, mas, no fundo, nada há que se temer, pois até mesmo a guarda imperial que deveria impedi-la, por ser tão desastrados, tornam-se mais motivo de risada do que apreensão e medo. Percebe-se que os monstros lúdicos daquela dimensão são carentes, até mesmo o próprio rei, passando ao espectador a impressão de que todo o reino é solitário e melancólico, onde aqueles que ali se encontravam, compartilhavam do mesmo temor, qual seja, estar sozinho. Analisando todo o contexto, observa-se que a jovem desbravadora fazia parte daquele ciclo de confusão de sentimentos, onde o que realmente queriam era ter alguém para conversar.

O reino é cinzento e com seres solitários, disformes e incompreendidos, que se isolam como forma de proteção, sendo que no auge de suas carências se apegam a algo material e sem vida, como joias e até mesmo as pedras, que deveriam ser seres inanimados e estáticos, ganham vida com o chamado do personagem “Ludo”.

Labirinto: A Magia do Tempo

Concluída a missão, que era chegar ao castelo de Jareth e reaver a guarda de seu irmão, a jovem desperta em seu quarto, onde não fica bem definido se toda aquela jornada foi fruto de sua imaginação, agregando em um sonho os personagens e elementos que faziam parte da decoração de seu quarto, ou se realmente ela fez esta viagem. Fica a critério do espectador escolher no que acreditar.

Labirinto: A Magia do TempoPodemos pensar na possibilidade de que os seres habitantes daquele local seriam a representação dos sentimentos que afligiam a linda Sarah. “Labirinto: A Magia do Tempo” é um filme lúdico, infanto-juvenil, mas com uma profundidade sem tamanho, onde podemos analisar inúmeras vertentes comportamentais do ser humano e a personificação dos seres simbolizando cada sentimento daquela jovem.

Deste modo, é de se questionar se em algum momento criamos os nossos próprios labirintos, com a finalidade de nos proteger, disfarçar nossas inseguranças ou quando nos perdemos em nós mesmos. Assista vale muito à pena!

Confira em nosso canal do Youtube, um pouco mais sobre este longa:

Sobre o Autor

Carlos Costa

Um café e duas ideias ou dois cafés e nenhuma criação, apenas café!