Star Wars: Marcas da Guerra | Crítica

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As consequências da queda do Império contadas em Star Wars: Marcas da Guerra

Marcas da Guerra é um livro escrito por Chuck Wendig, como parte do cânone oficial de Star Wars. A obra é o primeiro volume da Trilogia Aftermath, publicado no Brasil pela Editora Aleph em 2015.

Este livro tem a proposta de complementar o período iniciado logo após o Episódio VI: O Retorno de Jedi, preparando o terreno para aquilo que levaria aos eventos vistos em Episódio VII: O Despertar da Força, 30 anos depois.

De início a obra trouxe um certo desgosto por parte dos fãs, já que as consequências da queda do Império haviam sido exploradas na clássica Trilogia Thrawn, do escritor Timothy Zahn. No entanto, esta trilogia não correspondia aos novos planos da Disney, tornando-se parte do selo Legends, que engloba todos os livros escritos antes da compra da LucasFilm.

Deste modo, Marcas da Guerra surge para apresentar uma nova versão oficial dos fatos após a vitória da Aliança Rebelde.

Chuck Wendig apresenta neste primeiro livro as primeiras peças de uma trama que se desenrolará nos dois livros seguintes (Life Debt e Empire’s End). O intuito é apresentar a reação dos diversos povos da galáxia com a chegada da nova república e como as sobras do antigo Império agiram na tentativa de contornar tal situação.

“Aqui é Leia Organa, a última princesa de Alderaan, ex-integrante do Senado Galáctico e uma líder da Aliança para restaurar a República. Tenho uma mensagem para a galáxia. O domínio do Império sobre nossa galáxia e seus cidadãos acabou. A Estrela da Morte próxima à lua florestal de Endor foi destruída, levando com ela a liderança imperial.”

Obviamente, o Império era bem mais do que apenas Palpatine e a Estrela da Morte. Após a destruição de ambos, diversos almirantes (moffs) continuaram presentes com suas respectivas frotas, na esperança de restabelecerem a antiga ordem.

Marcas da Guerra gira em torno de uma reunião ultra-secreta realizada por estes almirantes no planeta Akiva, com finalidade de estabelecerem novas metas e inclusive definir quem ocuparia o cargo de Imperador. Toda esta situação é rodeada por interlúdios ocorridos em diversas regiões da galáxia como Tatooine, Jakku e Coruscant, mostrando a reação dos mais diversos personagens com relação ao fim da Guerra Civil Galáctica. Personagens que por conta de suas apresentações nos levam a crer que possam ser utilizados em algo maior no futuro desta trilogia.

Mas para a infelicidades destes almirantes, os mesmos não contavam com a presença de indivíduos presentes no próprio planeta Akiva que colaborariam com um grande mal estar, mesmo que de forma involuntária.

Dentre estes o líder do Esquadrão Vermelho, Wedge Antilles, que tem sua nave capturada logo de início pelos imperiais; a piloto rebelde Norra Wexley, que chega ao planeta Akiva em busca de seu filho Temmin, um garoto que vive ao lado do poderoso e engraçado droide de batalha Senhor Ossudo; a caçadora de recompensas Jas Emari e o agente de lealdade imperial Sinjir Rath Velus, desertor de sua antiga função.

O interessante de Marcas da Guerra é que o desenrolar da história vai surgindo por conta de acasos. Nenhum dos personagens citados tinham como proposta inicial o conflito com o Império, eles sequer imaginavam com a presença de seus inimigos no respectivo planeta. E por conta das intrigas entre os próprios personagens, em seus encontros nada planejados é que vai sendo construída a história deste livro, com bastante ação, aventura e principalmente humor, sem contar, é claro, com as cenas de drama típicas de Star Wars.

Existem fortes referências a personagens, bastante conhecidos pelos fãs, além de Wedge Antilles. Teremos interlúdios protagonizados por Han Solo e Chewbacca, outros com bastante ênfase no serviço realizado por Leia e o almirante Ackbar. É um livro mais militar, o que diminui a participação de Luke Skywalker e o uso da Força, no entanto o inesperado encontro dos personagens pode ser interpretado como a própria manifestação da Força para um fim maior.

Outro fator que chama bastante atenção é o fato já comentado por J.J. Abrams, a respeito do papel de Star Wars na inclusão social dos mais variados tipos de pessoas. Por exemplo, em Marcas da Guerra a almirante de maior destaque e força é Rae Sloane, uma mulher negra que enfrenta o preconceito de outros almirantes nos momentos de decisões mais importantes. É importante ressaltar que Sloane já possui uma história dentro do Império, sendo abordada pela primeira vez no livro Um Novo Amanhecer, 15 anos antes, enquanto ainda auxiliava o Conde Vidian, em uma história que envolvia Kanan Jarrus, um dos protagonistas de Star Wars Rebels.

Outro exemplo são os relacionamento homoafetivos presentes na história, vistos com bastante naturalidade entre os personagens. A irmã de Nora, é casada com outra mulher enquanto um dos principais protagonistas revela-se homossexual em meio a uma situação relativamente bem humorada.

Marcas da Guerra é um livro que nos mostra uma perspectiva geral daquele ambiente, apontando uma realidade bem maior que a que podemos ver no decorrer dos filmes, que são centrados exclusivamente na vida dos Skywalkers. São diversos pontos de vistas contados pelos mais diferentes personagens, desde o centro a orla exterior da galáxia.

Chuck Wendig realmente conseguiu transpor boa parte dos sentimentos das pessoas que eram a favor ou contra o Império Galáctico. Situações onde famílias se dividiam pelo fato de diferenças políticas, bem semelhantes ao que realmente presenciamos em nossas vidas reais, promovendo um ambiente de traições e denúncias entre amigos e irmãos.

Pessoas que viviam de forma miserável, que o único objetivo eram sobreviver, sejam trabalhando para o Império ou para a nova república, não importava que lado era, o importante era ter um lugar para ficar.

É um livro bastante maduro, com uma drama bastante forte, principalmente durante os interlúdios. Os alívios cômicos ocorrem somente entre os protagonistas, apenas para aliviar as verdadeiras marcas da guerra presentes em cada um.

Se você é realmente um fã de Star Wars e deseja compreender toda a história em seus mínimos detalhes, Marcas da Guerra é o livro perfeito para você começar a entender os passos da Nova República, em direção ao surgimento da 1ª Ordem e a Resistência.

Star Wars - Marcas da Guerra

 

Sobre o Autor

Sandro Pessoa

Metalhead, guitarrista, colecionador de livros e hq's, fundador do site MonsterBrain e Lorde Sith nas horas vagas.